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   Matéria publicada em 22/07/2010 20:57:08 | Matéria escrita por Dra. Rosana Fanuchi

Dentista x Crianças

Como superar o medo

DENTISTA X CRIANÇAS - PSICOLOGIA AJUDA A SUPERAR O MEDO Para identificar e solucionar o problema, mais nítido em crianças, o tratamento não deve ser focado só no paciente, mas também nos profissionais. Mãos geladas, palidez, corpo trêmulo e sudorese são os principais sintomas apresentados por pessoas que entram em pânico ao sentar na cadeira do dentista. Nem mesmo as modernas técnicas de tratamento dentário, menos dolorosas e incômodas, são capazes de evitar no paciente o medo e a sensação de que ele vai sofrer durante o atendimento odontológico. O medo é uma sensação natural que as pessoas apresentam em situações consideradas desagradáveis. Ele pode ser construído através de experiências vividas pela própria pessoa ou até mesmo pelos relatos de outras pessoas sobre determinada situação. Na criança, o medo de dentista é mais visível, já que ela o expressa de forma nítida, através do choro, por exemplo. Muitos adultos também sentem medo, mas não o demonstram. Diferente da criança, que é obrigada pelos pais, o adulto que tem medo de dentista pode escolher entre evitar ou encarar a situação e, normalmente, ele evita. A psicóloga clínica Daniele Pedrosa Fioravante, mestre em análise do comportamento, docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL), da Faculdade de Jandaia do Sul (Fafijan) e do Colégio Mãe de Deus, desenvolveu um projeto de pesquisa durante seu mestrado em que utiliza a análise do comportamento para entender e ajudar o paciente a superar o medo do dentista. Ela acompanhou o tratamento odontológico de crianças com idades entre um ano e meio e seis anos. Segundo Daniele, a análise do comportamento é uma das correntes da psicologia que tem o propósito de entender o comportamento como produto do ambiente. O medo não é inato, é aprendido, explica ela. “Não é o sentimento que causa o comportamento, mas um histórico de experiências ruins em relação à determinada situação que leva a pessoa a ter medo”, afirma. “É comum as pessoas usarem os sentimentos como justificativa, como por exemplo, quando dizem que não vão ao dentista por terem medo”, explica Daniele. Para superar o sentimento ruim em relação ao dentista, o foco da psicologia para o tratamento desse medo não deve ser o paciente, e sim o ambiente odontológico como um todo, desde a sala de espera do consultório até a forma de atendimento do profissional. É preciso identificar o que causa o medo e, a partir daí, fazer as mudanças. O projeto de pesquisa da psicóloga vai ser aplicado na Bebê Clínica da UEL a partir do próximo semestre. “Os dentistas foram bem receptivos e pediram para implantar o projeto”, conta. Ela explica que existe uma troca entre psicóloga e dentista, pois ela precisa entender cada procedimento odontológico, respeitar a rotina e se adaptar ao trabalho desses profissionais para apresentar soluções. Mão leve e conversa tranqüilizam pacientes “Nós fazemos o atendimento de uma forma gostosa, com a mão leve e uma boa conversa. Isso não gera incômodo para a criança”, diz o odontopediatra Aldo Pedalino. O trabalho realizado em sua clínica, conta ele, é mais preventivo do que curativo, por isso, a maioria dos tratamentos não causam dor. “Eu quase desisti de levar meu filho ao dentista porque ele era muito arredio, não queria sentar na cadeira e nem abrir a boca”, lembra a mãe de J. P.. O menino iniciou o tratamento dentário aos três anos e, antes disso, nunca havia freqüentado o dentista. Muitos acreditam que os filhos adquiriram esse medo de dentista ao ouvir histórias contadas pelas pessoas em relação ao atendimento odontológico. Alguns, como forma de ajudar a combater o medo, compram alguns livros sobre a saúde bucal e, na semana da consulta, fazem a leitura com o filho tentando mostrar o lado bom de ir ao dentista, o que se torna muito eficaz pois atinge a linguagem lúdica e de fácil compreensão para a criança. É importante também respeitar o tempo do da criança. Ir cativando aos poucos e conquistando a amizade. Criar vínculo torna melhor o atendimento Mexer a cabeça e os pés, morder e chutar, são as principais respostas de fuga da criança devido ao medo de dentista. Para melhorar o comportamento durante a consulta odontológica, o dentista precisa estabelecer um vínculo inicial com a criança, descontrair o ambiente e mostrar as conseqüências positivas do tratamento. Primeiro deve-se para a criança o que vai ser feito, depois mostrar os instrumentos, e explicar suas funções para, finalmente, iniciar o procedimento, criando assim um ambiente conhecido e confiável ao pequeno paciente. Quando isso acontece, as crianças se apegam bastante aos dentistas e cria-se uma relação de afeto, que contribui para um bom atendimento. O atendimento infantil deve seguir o modelo educativo-preventivo e as crianças iniciarem o tratamento dentário a partir dos seis meses de vida. Tratamento depende de toda a equipe Imagina um bebê que chega ao consultório do dentista no colo da mãe, é colocado numa maca, sob uma luz forte e uma pessoa desconhecida começa a examinar sua boca. É um procedimento muito invasivo. Por isso, mesmo que não gere dor, pode ser identificado como uma experiência negativa. O sucesso de um bom atendimento depende do esforço de toda a equipe, desde a recepcionista até o dentista. “O paciente precisa se sentir acolhido, respeitado, reconhecido e não tratado como apenas mais um.” É muito importante elogiar a criança quando ela colabora, isso traz bons resultados, funciona como um reforço positivo. Mas o elogio, não deve ser feito somente no final do atendimento. É preciso mostrar por que ela está sendo elogiada e fazer isso passo a passo. Rosana Fanucci e Silva Psicóloga especialista em Infância e Adolescência
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